Núcleo Norte: Visita Fundação Bienal de Cerveira e Convento de S. Payo

16 de Maio de 2026!

Um dia em Vila Nova de Cerveira: arte, natureza e comunidade

Como convidado do grupo desportivo da Fidelidade, tive o enorme prazer de participar nesta maravilhosa viagem. O convite partiu do meu amigo Rui Viana, a quem estava a visitar na altura. Foi um dia inesquecível no Alto Minho, repleto de descobertas, impressões profundas e de um grande espírito de grupo.

A nossa viagem começou na Vila das Artes. No Museu da Bienal de Cerveira, o festival de arte mais antigo de Portugal, visitámos uma exposição profunda sobre Angola. As obras deixaram algo bem claro: apesar das situações de vida frequentemente difíceis, marcadas pela pobreza e pelas sequelas da guerra, existe ali uma alegria de viver contagiante, que se expressa sobretudo na dança. Ao mesmo tempo, a exposição levou-nos à reflexão, ao mostrar que apenas alguns beneficiam da enorme riqueza de recursos do país. Um início forte e que nos abriu os olhos.

De seguida, continuámos para o Aquamuseu. Aqui, tudo girava em torno da fauna e da flora do Rio Minho. O museu faz um trabalho importante de sensibilização sobre os habitats sensíveis dos peixes e as ameaças decorrentes do impacto humano. No entanto, o ponto alto e o favorito indiscutível do público foi a lontra, cuja forma de brincar contagiou toda a gente e gerou grande entusiasmo no grupo.

Depois de tanta cultura e conhecimento, chegou a hora de recuperar energias. Fomos almoçar ao tradicional Restaurante Dom Júlio. A cozinha fez jus à reputação da casa: os nossos paladares foram ricamente mimados, e em toda a linha, já que foram preparados pratos fantásticos tanto para os amantes de carne como para os vegetarianos.

Bem alimentado, o grupo partiu para a etapa seguinte. Subimos as montanhas íngremes a bordo de um enorme autocarro de turismo. Devo admitir: antes de ver, não teria acreditado que um autocarro conseguisse sequer passar por aquelas estradas tão estreitas e inclinadas! Um grande elogio à perícia do motorista. A nossa paragem seguinte foi a Porta do Espírito Santo. Após uma subida íngreme e exigente pelas escadas, fomos recompensados com uma vista fenomenal. Quando olhamos através do portal de pedra da ruína, percebemos imediatamente por que razão os habitantes locais também chamam a este lugar as Portas do Céu.

Um dos grandes destaques do dia foi a visita à Casa-Museu do escultor José Rodrigues. Fomos recebidos pessoalmente pela sua filha, que nos guiou pelo convento magnificamente reconstruído, partilhando histórias comoventes sobre a obra de uma vida e a motivação do seu pai. Fiquei completamente surpreendido ao descobrir ali uma estátua de Shiva. A sua filha explicou-me que, para José Rodrigues, era fundamental que todas as crenças encontrassem o seu lugar naquele espaço. Um belíssimo manifesto a favor da diversidade e do respeito mútuo, valores que, nos dias de hoje, são mais importantes do que nunca.

Para fechar com chave de ouro, subimos até ao orgulhoso símbolo da vila: O Cervo. A imponente escultura de ferro do veado, também da autoria de José Rodrigues, ergue-se majestosamente no topo da montanha. Lá de cima, fomos brindados com uma vista espetacular sobre o Rio Minho, que aqui serve de fronteira natural e pacífica entre Portugal e Espanha.

A minha conclusão é um enorme obrigado ao Rui pelo convite e a todo o grupo da Fidelidade pelo acolhimento tão caloroso! São uma comunidade fantástica. Este dia repleto de cultura, natureza e ótimas conversas vai ficar guardado na minha memória com muito carinho!

Texto de David Peter
 

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